{"id":9166,"date":"2026-09-10T10:12:58","date_gmt":"2026-09-10T09:12:58","guid":{"rendered":"https:\/\/thecannex.com\/?p=9166"},"modified":"2026-09-10T10:57:29","modified_gmt":"2026-09-10T09:57:29","slug":"controlo-biologico-doencas-fungicas-canabis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/thecannex.com\/pt-pt\/controlo-biologico-doencas-fungicas-canabis\/","title":{"rendered":"Controlo biol\u00f3gico de doen\u00e7as f\u00fangicas na can\u00e1bis: o que a evid\u00eancia sustenta de facto"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Portugal tornou-se, em poucos anos, um dos maiores produtores e exportadores europeus de can\u00e1bis medicinal. As estufas do Alentejo e da regi\u00e3o Oeste produzem flor destinada a farm\u00e1cias alem\u00e3s, australianas e israelitas, sob regras de boas pr\u00e1ticas agr\u00edcolas e de fabrico que n\u00e3o perdoam desvios. No Brasil, a realidade \u00e9 quase oposta: associa\u00e7\u00f5es de pacientes cultivam ao abrigo de autoriza\u00e7\u00f5es judiciais individuais, muitas vezes em condi\u00e7\u00f5es improvisadas, com o mesmo clima h\u00famido que qualquer fungo aprecia. Os dois pa\u00edses partilham um problema: n\u00e3o existe praticamente nenhum fungicida registado para esta cultura, e os limites de res\u00edduos s\u00e3o apertados. Da\u00ed o interesse crescente em bact\u00e9rias e fungos que combatem outros fungos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma revis\u00e3o publicada a 9 de setembro de 2026 na <em>International Journal of Molecular Sciences<\/em> faz o balan\u00e7o do que essa via j\u00e1 conseguiu. A autora \u00e9 Tiziana M. Sirangelo, da ENEA, a ag\u00eancia italiana para as novas tecnologias, a energia e o desenvolvimento econ\u00f3mico sustent\u00e1vel. O trabalho est\u00e1 em acesso aberto: <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.3390\/ijms27188024\">&#8220;Towards an Omics-Guided Framework for Microbial Biological Control of Fungal and Oomycete Diseases in <em>Cannabis sativa<\/em>&#8220;<\/a>. As pesquisas bibliogr\u00e1ficas na Scopus e na PubMed foram encerradas a 26 de agosto de 2026.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O essencial<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O controlo biol\u00f3gico funciona na can\u00e1bis, mas dentro de margens estreitas e pouco reprodut\u00edveis. Algumas estirpes de <em>Bacillus<\/em>, <em>Pseudomonas<\/em> e <em>Trichoderma<\/em>, al\u00e9m de v\u00e1rios produtos comerciais, reduziram de forma significativa as podrid\u00f5es radiculares, o o\u00eddio e a podrid\u00e3o cinzenta em ensaios controlados, e num caso foi poss\u00edvel identificar as mol\u00e9culas exatas respons\u00e1veis pela prote\u00e7\u00e3o. Para al\u00e9m disso, a evid\u00eancia afina depressa: a maioria dos estudos usou um \u00fanico isolado do agente patog\u00e9nico, um \u00fanico gen\u00f3tipo de planta e um \u00fanico ambiente de cultivo, pelo que ningu\u00e9m consegue garantir que uma estirpe que protege uma variedade em c\u00e2mara de crescimento proteja outra numa estufa comercial. A revis\u00e3o prop\u00f5e fechar essa lacuna com gen\u00f3mica, perfil do microbioma e metabol\u00f3mica \u2014 e \u00e9 invulgarmente clara ao afirmar que os dados \u00f3micos, por si s\u00f3, nada demonstram. E levanta um ponto que quase nunca se discute: o micr\u00f3bio que sobrevive at\u00e9 \u00e0 colheita reaparece depois no controlo microbiol\u00f3gico do produto.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Duas jurisdi\u00e7\u00f5es, dois problemas diferentes<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em Portugal, o cultivo de can\u00e1bis para fins medicinais rege-se pela Lei n.\u00ba 33\/2018 e \u00e9 licenciado pelo Infarmed, que autoriza cada operador e cada instala\u00e7\u00e3o. A produ\u00e7\u00e3o destina-se maioritariamente \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o, o que significa que o produto tem de cumprir simultaneamente as exig\u00eancias portuguesas e as do mercado de destino. Um lote reprovado por contamina\u00e7\u00e3o microbiol\u00f3gica n\u00e3o \u00e9 um contratempo agron\u00f3mico: \u00e9 uma remessa perdida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Brasil, o quadro \u00e9 outro. A RDC 327\/2019 da Anvisa regula os produtos derivados de can\u00e1bis, mas n\u00e3o abriu a porta ao cultivo comercial; a Lei 11.343\/2006 continua a enquadrar a planta, e o caminho que as associa\u00e7\u00f5es de pacientes t\u00eam usado para cultivar passa por autoriza\u00e7\u00f5es judiciais obtidas caso a caso, normalmente por via de habeas corpus. Em 2024, o Supremo Tribunal Federal decidiu no sentido da descriminaliza\u00e7\u00e3o do porte para consumo pessoal, fixando um par\u00e2metro quantitativo de refer\u00eancia \u2014 uma decis\u00e3o relevante para o consumidor, mas que n\u00e3o criou um regime de cultivo nem, muito menos, um enquadramento fitossanit\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O resultado pr\u00e1tico \u00e9 o mesmo dos dois lados do Atl\u00e2ntico, por raz\u00f5es opostas: em Portugal existe uma cultura licenciada sem produtos fitofarmac\u00eauticos homologados para ela; no Brasil existe um cultivo tolerado judicialmente sem qualquer moldura t\u00e9cnica que lhe corresponda.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Os quatro agentes que concentram os preju\u00edzos<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A revis\u00e3o agrupa os agentes patog\u00e9nicos da can\u00e1bis pelo comportamento, e a distin\u00e7\u00e3o tem consequ\u00eancias pr\u00e1ticas: um micr\u00f3bio eficaz contra um pode ser in\u00fatil contra outro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As esp\u00e9cies de <em>Fusarium<\/em> atacam ra\u00edzes, colo e tecido vascular. Provocam tombamento das pl\u00e2ntulas na propaga\u00e7\u00e3o, murchid\u00e3o na fase vegetativa e, por vezes, podrid\u00e3o das infloresc\u00eancias. Os respons\u00e1veis mais citados pertencem aos complexos de esp\u00e9cies <em>F. oxysporum<\/em> e <em>F. solani<\/em>; <em>F. proliferatum<\/em> est\u00e1 associado a podrid\u00e3o do caule e necrose da medula. Algumas esp\u00e9cies de <em>Fusarium<\/em> isoladas de can\u00e1bis produzem micotoxinas \u2014 e a\u00ed o problema deixa de ser agron\u00f3mico e passa a ser de seguran\u00e7a do produto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As esp\u00e9cies de <em>Pythium<\/em> \u2014 <em>P. myriotylum<\/em>, <em>P. dissotocum<\/em>, <em>P. aphanidermatum<\/em> \u2014 s\u00e3o oomicetas, e n\u00e3o fungos verdadeiros. Prosperam onde a raiz permanece encharcada, o que faz da hidroponia e da estufa o seu ambiente preferido. Quem reaproveita substrato de ciclo para ciclo tem aqui uma raz\u00e3o adicional para prestar aten\u00e7\u00e3o: o que <a href=\"https:\/\/thecannex.com\/pt-pt\/reutilizar-terra-de-cannabis\/\">90 anos de cultivo no mesmo solo<\/a> revelam \u00e9 uma comunidade microbiana que se vai estreitando, e \u00e9 justamente essa comunidade que trava os agentes patog\u00e9nicos de forma natural.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O o\u00eddio, causado sobretudo por <em>Golovinomyces ambrosiae<\/em>, \u00e9 um biotr\u00f3fico obrigat\u00f3rio: n\u00e3o sobrevive sem tecido vegetal vivo, porque se alimenta atrav\u00e9s de haust\u00f3rios que penetram c\u00e9lulas vivas da epiderme. Daqui decorre algo inc\u00f3modo para a investiga\u00e7\u00e3o: n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel testar uma estirpe candidata contra ele numa placa de Petri, porque o agente simplesmente n\u00e3o cresce ali.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Botrytis cinerea<\/em>, a podrid\u00e3o cinzenta, funciona ao contr\u00e1rio: \u00e9 um necrotr\u00f3fico que mata o tecido e se alimenta dos restos. O seu momento \u00e9 a flora\u00e7\u00e3o, quando uma infloresc\u00eancia compacta ret\u00e9m ar h\u00famido no interior. Nas condi\u00e7\u00f5es atl\u00e2nticas portuguesas e no clima tropical brasileiro, esse microambiente forma-se com facilidade, e \u00e9 por isso que a arquitetura do coberto e a gest\u00e3o da humidade acabam por pesar tanto como qualquer tratamento. O estudo sobre como a <a href=\"https:\/\/thecannex.com\/pt-pt\/densidade-plantas-canabis-rendimento-thc-estudo\/\">densidade de planta\u00e7\u00e3o pode aumentar a produ\u00e7\u00e3o em 160 %<\/a> tem consequ\u00eancias diretas sobre quanto ar h\u00famido fica parado no interior do coberto; \u00e0 escala da sala, as <a href=\"https:\/\/thecannex.com\/pt-pt\/qualidade-ar-cultivo-canabis-estudo-oklahoma\/\">113 mil medi\u00e7\u00f5es feitas numa instala\u00e7\u00e3o de flora\u00e7\u00e3o<\/a> mostram o quanto a temperatura e a humidade oscilam num espa\u00e7o em funcionamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Atr\u00e1s destes quatro ficam <em>Rhizoctonia solani<\/em>, as esp\u00e9cies de <em>Sclerotinia<\/em>, <em>Sclerotium rolfsii<\/em> e <em>Neofusicoccum parvum<\/em> \u2014 menos estudados, e sem qualquer resposta biol\u00f3gica validada.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como um micr\u00f3bio \u00fatil combate um nocivo<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A revis\u00e3o separa dois mecanismos, e a diferen\u00e7a importa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O primeiro \u00e9 o antagonismo direto. O micr\u00f3bio ben\u00e9fico ocupa fisicamente o espa\u00e7o e consome os nutrientes de que o agente patog\u00e9nico precisaria, produz compostos antif\u00fangicos ou ataca-o diretamente. As estirpes de <em>Bacillus<\/em> geram lipop\u00e9ptidos \u2014 surfactinas, iturinas, fengicinas \u2014 que desestabilizam as membranas f\u00fangicas. As de <em>Pseudomonas<\/em> produzem fenazinas, pirrolnitrina, pioluteorina e 2,4-diacetilfloroglucinol. Os antagonistas f\u00fangicos, como <em>Trichoderma<\/em>, v\u00e3o mais longe e parasitam o alvo: enrolam-se nas hifas e dissolvem-nas com quitinases e glucanases.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na can\u00e1bis existe uma demonstra\u00e7\u00e3o limpa disto. Em <em>Pseudomonas protegens<\/em> Pf-5, os investigadores eliminaram os genes necess\u00e1rios para sintetizar pioluteorina e 2,4-diacetilfloroglucinol, restauraram-nos depois e mediram o que acontecia \u00e0 podrid\u00e3o cinzenta em folhas. Ambos os compostos revelaram-se <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.3389\/fmicb.2022.945498\">os principais respons\u00e1veis pela prote\u00e7\u00e3o contra <em>Botrytis cinerea<\/em><\/a>. Isto j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 correla\u00e7\u00e3o: \u00e9 causalidade, estabelecida retirando a causa suspeita e vendo o efeito enfraquecer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O segundo mecanismo \u00e9 a prote\u00e7\u00e3o mediada pela pr\u00f3pria planta. Aqui o micr\u00f3bio nunca toca no agente patog\u00e9nico. \u00c9 aplicado na raiz, o sistema imunit\u00e1rio da planta deteta-o, e as defesas respondem mais depressa ou com mais for\u00e7a quando o ataque chega. Chama-se a isto <em>priming<\/em>. A ideia \u00e9 atraente e a evid\u00eancia na can\u00e1bis \u00e9 honestamente fraca. Quando estirpes de <em>Pseudomonas<\/em> e <em>Bacillus<\/em> foram aplicadas \u00e0s ra\u00edzes e as folhas infetadas mais tarde com <em>B. cinerea<\/em>, <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.3389\/fpls.2020.572112\">n\u00e3o foi detetada de forma reprodut\u00edvel nem redu\u00e7\u00e3o sist\u00e9mica da doen\u00e7a nem ativa\u00e7\u00e3o dos genes de defesa<\/a>. O que ficou foi um conjunto de cinco marcadores \u2014 ERF1, HEL, PAL, PR1 e PR2 \u2014 fortemente e duradouramente ativados nos locais de infe\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que realmente funcionou<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sem camada publicit\u00e1ria, o registo \u00e9 este.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Contra <em>Fusarium oxysporum<\/em> (tombamento) e <em>Pythium myriotylum<\/em> (podrid\u00e3o da raiz e do colo), v\u00e1rios produtos microbianos comerciais reduziram significativamente a severidade, sempre aplicados antes da chegada do agente: Lalstop, RootShield, Asperello e Stargus baixaram os danos por <em>F. oxysporum<\/em>, e contra <em>P. myriotylum<\/em> os melhores foram RootShield e Lalstop.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Contra o o\u00eddio, aplica\u00e7\u00f5es foliares repetidas de Rhapsody ASO (<em>Bacillus subtilis<\/em> QST 713) e Stargus (<em>B. amyloliquefaciens<\/em> F727) reduziram a doen\u00e7a de forma consistente numa variedade suscet\u00edvel, enquanto o Actinovate, \u00e0 base de <em>Streptomyces lydicus<\/em> WYEC 108, deu resultados menores e mais vari\u00e1veis. O mesmo trabalho encontrou diferen\u00e7as assinal\u00e1veis entre gen\u00f3tipos de can\u00e1bis \u2014 ind\u00edcio de que a escolha da variedade pode pesar mais do que a pulveriza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Contra a podrid\u00e3o cinzenta, v\u00e1rias estirpes de <em>Bacillus<\/em> e <em>Pseudomonas<\/em> inibiram o agente em laborat\u00f3rio e reduziram as les\u00f5es nas folhas. <em>Trichoderma asperellum<\/em>, aplicada 48 horas antes da inocula\u00e7\u00e3o sobre infloresc\u00eancias destacadas, tamb\u00e9m <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1080\/07060661.2021.1936650\">reduziu o desenvolvimento da doen\u00e7a<\/a> \u2014 com a ressalva que se segue.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que todos estes resultados t\u00eam em comum: c\u00e2mara de crescimento, estufa, tecido destacado, um \u00fanico isolado. Dados de um ciclo comercial completo praticamente n\u00e3o existem.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A troca inc\u00f3moda: o antagonista fica na flor<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um agente destinado a proteger infloresc\u00eancias tem de sobreviver sobre elas. A persist\u00eancia \u00e9 a caracter\u00edstica desejada. Mas as c\u00e9lulas e os esporos vi\u00e1veis que chegam \u00e0 colheita acabam dentro do produto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o \u00e9 hipot\u00e9tico. Quando <em>Trichoderma asperellum<\/em> reduziu a podrid\u00e3o em infloresc\u00eancias destacadas, observou-se em simult\u00e2neo crescimento abundante e esporula\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio antagonista sobre o tecido tratado. Como refer\u00eancia, a Farmacopeia Europeia estabelece, para prepara\u00e7\u00f5es n\u00e3o est\u00e9reis destinadas a inala\u00e7\u00e3o, uma contagem total de microrganismos aer\u00f3bios de 10\u00b2 UFC\/g e uma contagem total de leveduras e bolores de 10\u00b9 UFC\/g \u2014 m\u00e1ximos de 200 e 20 UFC\/g, respetivamente. Para a flor portuguesa que segue para a Alemanha, esse \u00e9 o limite real.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A qu\u00edmica da planta tamb\u00e9m fica exposta. Num estudo, inoculantes microbianos alteraram as concentra\u00e7\u00f5es de CBDVA, CBDV, CBG, CBD e CBGA em cinco variedades, e a dire\u00e7\u00e3o do efeito dependeu da variedade. Para um produto padronizado, um desvio n\u00e3o planeado do perfil de canabinoides \u00e9 um incumprimento de especifica\u00e7\u00e3o, por muito saud\u00e1vel que a planta pare\u00e7a. A recomenda\u00e7\u00e3o da revis\u00e3o \u00e9 firme: a carga microbiana \u00e0 colheita e o perfil de canabinoides devem ser crit\u00e9rios de exclus\u00e3o desde o primeiro ensaio em planta, e n\u00e3o um controlo de qualidade no fim. A l\u00f3gica vale para tudo o que possa acabar na flor \u2014 infloresc\u00eancias de aspeto irrepreens\u00edvel j\u00e1 <a href=\"https:\/\/thecannex.com\/pt-pt\/metais-pesados-na-canabis-limite-oms-estudo\/\">ultrapassaram o limite da OMS para metais pesados<\/a> sem qualquer sinal vis\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que as \u00f3micas acrescentam \u2014 e o que n\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O esquema proposto avan\u00e7a por etapas: caracterizar a gen\u00e9tica do hospedeiro, comparar o microbioma de plantas s\u00e3s e doentes, usar esses padr\u00f5es para decidir que microrganismos tentar cultivar, sequenciar os isolados obtidos, rastre\u00e1-los \u00e0 procura de genes de virul\u00eancia e de toxinas antes de tocarem numa planta, sequenciar os agentes patog\u00e9nicos para montar um painel representativo, e s\u00f3 ent\u00e3o ensaiar em planta, contra v\u00e1rios gen\u00f3tipos e v\u00e1rios isolados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os recursos j\u00e1 existem. O pangenoma da can\u00e1bis re\u00fane 181 montagens novas e 12 genomas publicados anteriormente, a partir de 144 amostras biol\u00f3gicas. O primeiro genoma de <em>Golovinomyces ambrosiae<\/em> tem 155,2 Mb, com 6995 modelos g\u00e9nicos de elevada confian\u00e7a e 169 efetores candidatos previstos. A an\u00e1lise gen\u00f3mica de tr\u00eas estirpes de <em>Bacillus<\/em> usadas em trabalhos sobre can\u00e1bis revelou 18 grupos de genes biossint\u00e9ticos com potencial interesse para o controlo biol\u00f3gico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A revis\u00e3o \u00e9 rigorosa quanto ao alcance disto. Detetar um grupo de genes indica capacidade gen\u00e9tica, n\u00e3o atividade. A aus\u00eancia de genes de virul\u00eancia conhecidos n\u00e3o prova seguran\u00e7a. E n\u00e3o h\u00e1 hoje evid\u00eancia de que os fluxos guiados por \u00f3micas sejam mais r\u00e1pidos ou mais baratos do que o rastreio convencional na can\u00e1bis \u2014 apenas de que a sele\u00e7\u00e3o se torna rastre\u00e1vel. As \u00f3micas complementam a fitopatologia; n\u00e3o a substituem.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Que peso suporta este trabalho<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 uma revis\u00e3o narrativa de uma \u00fanica autora, n\u00e3o uma revis\u00e3o sistem\u00e1tica nem uma meta-an\u00e1lise. N\u00e3o foram gerados dados experimentais novos. A literatura prov\u00e9m de duas bases de dados, com prioridade aos estudos espec\u00edficos de can\u00e1bis, e a autora deixa expl\u00edcito que o esquema proposto \u00e9 um roteiro prospetivo: a sequ\u00eancia completa nunca foi executada na can\u00e1bis. As comunidades microbianas sint\u00e9ticas dos \u00faltimos cap\u00edtulos s\u00e3o extrapoladas de outras culturas \u2014 para nenhum dos patossistemas de can\u00e1bis tratados foi validado at\u00e9 hoje um cons\u00f3rcio supressor de doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vale a pena l\u00ea-la como um mapa de lacunas e n\u00e3o como um manual. Nessa fun\u00e7\u00e3o \u00e9 \u00fatil: nomeia as falhas com precis\u00e3o suficiente para que algu\u00e9m as possa preencher \u2014 e a lacuna \u00e9 tanto mais inc\u00f3moda quanto se sabe que mesmo os mercados regulados t\u00eam <a href=\"https:\/\/thecannex.com\/pt-pt\/riscos-cannabis-legal-cultivo-domestico-alternativa-segura\/\">problemas de contamina\u00e7\u00e3o que a etiqueta n\u00e3o mostra<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Perguntas frequentes<\/h2>\n\n\n\n<div class=\"schema-faq wp-block-yoast-faq-block\"><div class=\"schema-faq-section\" id=\"faq-question-1789033651983\"><strong class=\"schema-faq-question\">\u00c9 legal aplicar estes produtos a uma cultura de can\u00e1bis em Portugal ou no Brasil?<\/strong> <p class=\"schema-faq-answer\">S\u00e3o duas respostas distintas e, em ambos os casos, o obst\u00e1culo n\u00e3o \u00e9 o produto mas o registo. Em Portugal, o cultivo depende de autoriza\u00e7\u00e3o do Infarmed ao abrigo da Lei n.\u00ba 33\/2018, enquanto os produtos fitofarmac\u00eauticos s\u00e3o homologados pela autoridade agr\u00edcola para culturas concretas \u2014 e a can\u00e1bis n\u00e3o consta dessas homologa\u00e7\u00f5es. No Brasil, a RDC 327\/2019 da Anvisa regula produtos e n\u00e3o o cultivo, que na pr\u00e1tica decorre de autoriza\u00e7\u00f5es judiciais individuais concedidas a associa\u00e7\u00f5es de pacientes, sem qualquer enquadramento fitossanit\u00e1rio associado. Em nenhum dos casos o registo norte-americano dos produtos citados nos estudos produz efeitos jur\u00eddicos. A verifica\u00e7\u00e3o tem de ser feita junto da autoridade competente e do t\u00edtulo de licenciamento em vigor.<\/p> <\/div> <div class=\"schema-faq-section\" id=\"faq-question-1789033667432\"><strong class=\"schema-faq-question\"><strong>Os biol\u00f3gicos s\u00e3o t\u00e3o eficazes como um fungicida qu\u00edmico?<\/strong><\/strong> <p class=\"schema-faq-answer\">Com os dados atuais, n\u00e3o de forma consistente. V\u00e1rios produtos reduziram significativamente a severidade em ensaios controlados, mas a redu\u00e7\u00e3o foi parcial e dependeu de aplica\u00e7\u00e3o preventiva, antes de o agente se instalar. Funcionam como pe\u00e7a de um sistema \u2014 higiene, material de propaga\u00e7\u00e3o s\u00e3o, controlo da humidade, circula\u00e7\u00e3o de ar \u2014, n\u00e3o como substituto do resto.<\/p> <\/div> <div class=\"schema-faq-section\" id=\"faq-question-1789033688810\"><strong class=\"schema-faq-question\"><strong>Basta aplicar um composto l\u00edquido ou um inoculante microbiano gen\u00e9rico?<\/strong><\/strong> <p class=\"schema-faq-answer\">Promover o crescimento e suprimir uma doen\u00e7a s\u00e3o coisas diferentes. Um produto que melhora o enraizamento ou a biomassa pode n\u00e3o fazer nada ao agente patog\u00e9nico, e a revis\u00e3o trata a promo\u00e7\u00e3o do crescimento como benef\u00edcio complementar, n\u00e3o como prova de controlo biol\u00f3gico. Produtos com ensaios documentados contra o agente concreto s\u00e3o outra categoria.<\/p> <\/div> <div class=\"schema-faq-section\" id=\"faq-question-1789033698339\"><strong class=\"schema-faq-question\">Porque n\u00e3o se selecionam as estirpes simplesmente em placa?<\/strong> <p class=\"schema-faq-answer\">Como primeiro filtro, por vezes serve. Mas a inibi\u00e7\u00e3o em laborat\u00f3rio prev\u00ea mal o que acontece na planta, onde o micr\u00f3bio tem ainda de colonizar o tecido, persistir, competir com a microbiota residente e funcionar com a humidade e a temperatura reais. Com o o\u00eddio nem sequer \u00e9 poss\u00edvel, porque o agente s\u00f3 cresce sobre tecido vivo. Por isso a revis\u00e3o exige que os candidatos avancem por supress\u00e3o reprodut\u00edvel da doen\u00e7a na planta, e n\u00e3o por resultados em placa.<\/p> <\/div> <\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Aviso legal<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este artigo tem finalidade exclusivamente informativa e n\u00e3o constitui aconselhamento agron\u00f3mico, jur\u00eddico ou m\u00e9dico. Em Portugal, a utiliza\u00e7\u00e3o de medicamentos, prepara\u00e7\u00f5es e subst\u00e2ncias \u00e0 base da planta da can\u00e1bis para fins medicinais rege-se pela Lei n.\u00ba 33\/2018 e respetiva regulamenta\u00e7\u00e3o, competindo ao Infarmed o licenciamento das atividades de cultivo, fabrico e com\u00e9rcio. No Brasil, os produtos derivados de can\u00e1bis s\u00e3o regulados pela RDC 327\/2019 da Anvisa, mantendo-se aplic\u00e1vel a Lei 11.343\/2006; o cultivo n\u00e3o disp\u00f5e de regime geral autorizativo e tem dependido de decis\u00f5es judiciais individuais. Nada aqui exposto deve ser entendido como recomenda\u00e7\u00e3o de qualquer produto nem como incentivo a cultivar sem as autoriza\u00e7\u00f5es exig\u00edveis. A aplica\u00e7\u00e3o de produtos fitofarmac\u00eauticos s\u00f3 \u00e9 l\u00edcita quando estes se encontrem homologados para a cultura em causa. Os limites de res\u00edduos, as especifica\u00e7\u00f5es microbiol\u00f3gicas e os quadros legais alteram-se com frequ\u00eancia, pelo que devem ser confirmados junto das autoridades competentes. Os estudos descritos s\u00e3o resultados de investiga\u00e7\u00e3o obtidos em condi\u00e7\u00f5es experimentais e n\u00e3o recomenda\u00e7\u00f5es de utiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Portugal tornou-se, em poucos anos, um dos maiores produtores e exportadores europeus de can\u00e1bis medicinal. 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Em Portugal, o cultivo depende de autoriza\u00e7\u00e3o do Infarmed ao abrigo da Lei n.\u00ba 33\/2018, enquanto os produtos fitofarmac\u00eauticos s\u00e3o homologados pela autoridade agr\u00edcola para culturas concretas \u2014 e a can\u00e1bis n\u00e3o consta dessas homologa\u00e7\u00f5es. No Brasil, a RDC 327\/2019 da Anvisa regula produtos e n\u00e3o o cultivo, que na pr\u00e1tica decorre de autoriza\u00e7\u00f5es judiciais individuais concedidas a associa\u00e7\u00f5es de pacientes, sem qualquer enquadramento fitossanit\u00e1rio associado. Em nenhum dos casos o registo norte-americano dos produtos citados nos estudos produz efeitos jur\u00eddicos. A verifica\u00e7\u00e3o tem de ser feita junto da autoridade competente e do t\u00edtulo de licenciamento em vigor.","inLanguage":"pt-PT"},"inLanguage":"pt-PT"},{"@type":"Question","@id":"https:\/\/thecannex.com\/pt-pt\/controlo-biologico-doencas-fungicas-canabis\/#faq-question-1789033667432","position":2,"url":"https:\/\/thecannex.com\/pt-pt\/controlo-biologico-doencas-fungicas-canabis\/#faq-question-1789033667432","name":"Os biol\u00f3gicos s\u00e3o t\u00e3o eficazes como um fungicida qu\u00edmico?","answerCount":1,"acceptedAnswer":{"@type":"Answer","text":"Com os dados atuais, n\u00e3o de forma consistente. V\u00e1rios produtos reduziram significativamente a severidade em ensaios controlados, mas a redu\u00e7\u00e3o foi parcial e dependeu de aplica\u00e7\u00e3o preventiva, antes de o agente se instalar. 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